domingo, 19 de maio de 2013

lancamento 2013

  • Assista o clipe “Estilo Vagabundo 3″, de @MvBill e @KmilaCDD

Postado por mc's jota em 19 de maio de 2013 ás 12:28
billcdd
lançamento 2013
Assista o clipe "Estilo Vagabundo 3", de @MvBill e @KmilaCDD  | leia esse artigo
O Mensageiro da Verdade, Bill, acaba de lançar o videoclipe de ”Estilo Vagabundo 3″,
A música fará parte do EP “Vivo/Monstrão”, que esta prestes a ser lançado. A música é a continuação da já conhecida “Estilo Vagabundo”, que narra a discussão de um casal e que muita gente irá se identificar.
Com participação de Kmila CDD, música tem produção de Dj Caique e masterização de Luiz Café, já o clipe foi produzido por Bruno Cons & Instinto Coletivo.
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polemica do lobo !!!!!!

  • Lobão fala mal de Racionais MC’s e consegue briga com Mano Brown

    Postado por em 2 de maio de 2013 ás 16:54
    lobaoxbrown
    Lobão fala mal de Racionais MC's e consegue briga com Mano Brown  | leia esse artigo
    Em seu novo livro, “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, Lobão ataca os Racionais MC’s. Segundo o músico, o grupo de rap é um “braço armado do governo” e  faz “propaganda de um comportamento seminal do PT”.
    E nesta quinta-feira (2), Mano Brown, que não curtiu muito os comentários do roqueiro, respondeu às críticas do músico no Twitter. “Conheci o Lobão em 1996. Cumprimentei e depois disso nunca mais o vi. Sinceramente não tenho o que falar da pessoa dele. Estranho o Lobão falar de mim sem nunca ter me conhecido. Não entendo a postura dele agora. Ele pregava a ética e a rebeldia. Age como uma puta para vender livro. Nos anos 80 as ideias dele não fizeram a diferença para a gente aqui da favela. Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, nem ele comigo. O Lobão está sendo leviano e desinformado. Tô sempre no Rio de Janeiro, se ele quiser resolver como homem, demorô! Do jeito que aprendi aqui”,escreveu.
    Lobão não citou nomes, mas deu uma cutucada no rapper, também via Twitter. “Não acredito em cara ressentido”.
    respostabrown
    “O rap e o hip hop viraram um órgão de propaganda das ideias medíocres e revanchistas do PT, com a sua maior expressão, os Racionais MC’s virou uma ridícula caricatura de toda esta doutrina (…) São epifanias de Mano Brown, abrandar clichês anacrônicos a convocar o terrorrismo explícito (…) Exatamente como era de se esperar de um papagaio piegas e recalcado. O tão chamado idiota útil”, escreveu Lobão na publicação.
    No livro, o músico ainda chamou Dilma Rousseff de “torturadora”, no capítulo entitulado “Vamos Assassinar a Presidenta da República”, e Roberto Carlos de “múmia deprimida”.
    A produtora Paula Lavigne foi outra que reclamou dos comentário de Lobão em “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” e respondeu a Mano Brown no microblog. “Você segura o Lobão que vai ter uma fila pra bater! kkkkk Até eu fui esculhambada! Vamos cobrar royaltes desse livro”.
    Fonte: Hoje em Dia
    Atualização: Lobão diz que conversou com Mano Brown mas é desmentido no twitter!
    E a falta de respeito com Mano Brown e toda rapaziada do RAP continua.
    Depois do episódio em que Lobão falou mal de Mano Brown, hoje, no twitter, Lobão disse que Brown ligou para ele e que iriam fazer um som juntos na Virada Cultural 2013, que acontece nos dias 18 e 19 de maio, em São Paulo.
    Poucas horas depois, o twitter oficial do Racionais Mc’s desmente e diz “O Lobinho agora esta falando que conversou com Brown Mentiroso!”.
    Confira abaixo o registro:
    mentiralobao

    Edi Rock, integrante do Racionais Mc’s, também manifestou sua revolta com o caso: 
    Captura de Tela 2013-05-04 às 02.01.58

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  • espaço rap permanenty hip-hop

Pensando nisso, a Soma chamou alguns amigos e artistas (a saber: KL Jay, Don L, DJ Cia, Xis, André Maleronka e Pedro Pinhel, mais os editores da Soma Mateus Potumati e Amauri Stamboroski Jr.) para relembrar sons que ajudaram a construir a identidade do gênero neste nosso belo e contraditório país. Como era de se esperar, surgiram literalmente centenas de sons, a maioria dos quais evidentemente não entrou nesta lista. Dizer que nossa relação não é definitiva não vai impedir ninguém de xingar no Twitter, mas que fique dito, para todos os efeitos. A ideia foi contar uma história sobre as principais fases do rap no Brasil, discutindo clássicos e dando crédito devido a heróis esquecidos. E, acima de tudo, se divertir ouvindo um monte de música boa, feita pra endoidar o crânio de maluco sangue bom. Por falar nisso, aí estão elas.
1. Black Juniors . “Mas que linda estás”
Ano: 1984
Disco: Break
Quando se trata da história do rap no Brasil, o difícil é começar pelo começo. Explica-se: existiram diferentes “primeiros raps” gravados no país. Para alguns, nossa tradição vem dos repentes e das emboladas, que remontam ao período colonial. Para outros, o precursor sem dúvida é o balanço de cantofalado de Jair Rodrigues “Deixa Isso Pra Lá”, de 1964. “Melô do Tagarela”, versão de “Rapper’s Delight” cantada por Miéle, data de 1980. Já a infame “Vem Fazer Glu Glu”, de Sergio Mallandro, é de 1982.
Na verdade, foi um nome da discothéque o responsável pelo primeiro grupo – e pelo primeiro álbum – de rap do Brasil. O DJ argentino Mister Sam, radicado em SP, já havia se dado bem produzindo cantoras como Gretchen quando resolveu aproveitar a onda do break para lançar o Black Juniors – um quarteto de garotos que começaram dançando break. Puxado pelo hit “Mas Que Linda Estás”, o álbum Break (RGE, 1984) vendeu milhão e meio de cópias e levou o grupo a inúmeros programas de TV, incluindo uma participação nos Trapalhões.
O revival dos anos 80 garantiu nova vida ao som, que foi hit em festas Trash 80s e apareceu em versões de Kamau com Emicida e Xis – o Jackson 5 brasileiro inclusive reencarnou recentemente. Mas, lá atrás, enquanto esvanecia a fama do Black Juniors, os bailes black e a turma que se reunia numa estação de metrô em São Paulo começavam um longo caminho em busca de identidade própria. [AS]
2. Thaíde  e DJ Hum . “Corpo Fechado”
Ano: 1988
Disco: Hip Hop Cultura de Rua
 
Raridade: versão gravada do rádio em 1987, durante um freestyle de Thaíde na São Bento
Lançada em 1988, Hip Hop Cultura de Rua não foi a primeira coletânea de rap que saiu no Brasil (o título é de A Ousadia do Rap, de 1987), mas pode ser considerada, ao lado do volume de estreia da série Consciência Black, o big bang do rap nacional. Ambos os discos exerceram o papel pioneiro de apresentar o hip-hop como uma cena, que começava a ganhar corpo em pontos como o Metrô São Bento, no centro de São Paulo. Mas o legado mais importante desses lançamentos foi registrar em vinil, pela primeira vez, os nomes de Thaíde e DJ Hum e Racionais MCs.
Com samples de clássicos como “16 Toneladas” e “Pump Me Up”, “Corpo Fechado” tem a levada típica do som que embalava os b-boys da São Bento: a edição esperta do DJ Hum é dançante ao mesmo tempo que cria contextos quase cômicos com os samples, lançando um estilo de produção que se tornaria referência. O beat relaxado e o flow old-school de Thaíde dão um tom mais leve à letra, que como em “The Message” introduz temas sobre afirmação e conflitos de um jovem da periferia. O jogo estava apenas começando. [MP]
3. Ndee Naldinho . “Melô da Lagartixa”
Ano: 1988
Disco: Som das Ruas
 
Lá pela metade dos anos 80, o rap já era um dos ritmos mais tocados nos bailes black de SP. Mesmo com o sucesso, a barreira da língua, especialmente para um gênero baseado na fala, ainda era grande. De qualquer jeito, a galera dos bailes dava um jeito de inventar as letras para poder cantar os refrões. E assim como “You Talk Too Much” do Run-DMC virou “Taca Tomate”, “DJ Innovator” de Chubb Rock se transformou em “Melô da Lagartixa”.
Ndee Naldinho – então Ndee do Rap – estreou com essa faixa na coletânea Som das Ruas, de 1988, da equipe de bailes Chic Show, numa letra bem bolada que falava sobre misturar rap e samba-rock. A coletânea também marca as últimas parcerias entre as equipes e o rap. Em São Paulo, no final dos anos 80 e começo dos 90, algumas desavenças e a busca de uma linguagem própria fazem o rap se descolar aos poucos da cultura hip-hop e trilhar um caminho separado, enquanto equipes como a gigantesca Chic Show encerravam as atividades. [AS]
 
4. Racionais MCs . “Pânico na Zona Sul”
Anos: 1988/1990
Discos: Consciência Black Vol. 1 / Holocausto Urbano
 
“Aqui é Racionais MCs”, manda Edy Rock no começo de “Pânico na Zona Sul”. Como “Corpo Fechado”, a estreia em disco dos Racionais introduziu, mais do que um grupo, um novo estilo de pensar e fazer rap no Brasil. À primeira audição, a batida e flow ainda soam bastante familiares ao ambiente b-boy/São Bento, mas já estão ali os elementos que fizeram do grupo o maior do rap brasileiro: o talento musical raro de KL Jay, o olhar agudo e corajoso de Mano Brown, o carisma maloqueiro de Ice Blue e a força bruta de Edy Rock.
Chama atenção especial a forma como KL Jay trabalha as bases, todas de músicas de James Brown: a guitarra e o baixo são de “Big Payback” (que, por sinal, fala de tema semelhante), mas o loop da bateria é de “Funky Drummer”, um dos mais sampleados da história. A letra fala sobre a ação dos grupos de extermínio comandados por policiais que aterrorizavam a Zona Sul e o ABC nos anos 80, e foram desmantelados com o surgimento do PCC (sorry, Governo do Estado). “Caiu como uma bomba”, resume Xis à perfeição. [MP]
5. Câmbio Negro . “Sub-Raça”
Ano: 1993
Disco: Sub-Raça
 
Três anos depois de Holocausto Urbano, o rap com consciência étnica e social  – e suas críticas agudas à sociedade – se tornava a principal vertente do gênero no Brasil. Ao mesmo tempo, alguns grupos começavam a usar elementos do rock e surgia o embrião do rapcore nacional. O Câmbio Negro foi um dos precursores desse movimento e colocou o rap da Ceilândia (periferia de Brasília) no mapa. “O Câmbio Negro veio pra falar as nossas gírias, de nossa realidade e de nossas influências. ‘Véi’ em vez de ‘mano’, ‘quebrada’ em vez de ‘área’. Samplear AC-DC e Gerson King Combo sem receio. Era a identidade candanga nos sons”, explica o também candango DJ TyDoZ neste texto.
“Sub-Raça” não tem samples de rock, mas tem uma das letras mais punk do rap nacional. De quebra, é uma pedrada contra a alienação dos meios de comunicação com a mesma intensidade (e sem o mesmo humor) de “She Watch Channel Zero?!”, do Public Enemy. A imagem sub-Freyreana do artista negro cordial e acrítico, propagada pela nossa indústria cultural das novelas à música de massa, ganhava um irmão gêmeo indigesto, que vinha para ficar. [MP]
6. Racionais MCs . “Fim de Semana no Parque”
Ano: 1993
Disco: Raio X Brasil
 
Algumas músicas entram para a história como “o som que mudou tudo”. Os Racionais colocaram vários raps no topo da tradição musical brasileira, mas “Fim de Semana no Parque” simboliza algo além: o inescrutável e frequentemente subestimado poder transformador da música. Lançada originalmente no disco Raio X Brasil, foi a partir da coletânea Racionais MC’s, de 1994, que a faixa ganhou o Brasil, até entrar a fórceps na programação das FMs – “95 abalou/ Apavorou cidade/ Quem é me compreende/ Quem é rap sabe”, lembrava Sabotage em “Na Zona Sul”.
“Fim de Semana...” não só mostrou a espantosa evolução do quarteto – em termos de narrativa, de uso de samples, de capacidade de atingir ouvidos nunca imaginados –, como expandiu as ambições intelectuais do gênero. Não é exagero dizer que também foi fundamental no fortalecimento de uma identidade periférica no país, unindo o relato vivo de uma tragédia urbana a um orgulho de classe novo e sagaz (“É lá que moram meus irmãos, meus amigos/ E a maioria por aqui se parece comigo”). Uma escola inteira para gerações em pouco mais de 7 minutos. [MP]
7. Gabriel o Pensador . “Lôraburra”
Ano: 1993
Disco: Gabriel o Pensador
Enquanto nas periferias o rap colava nos movimentos de consciência negra, um carioca de São Conrado, filho de médico e jornalista, inundava as rádios com suas rimas. De barba e chinelos, Gabriel apareceu primeiro com “Tô Feliz, Matei o Presidente”, onde fantasiava dar um tiro no então altamente impopular Fernando Collor de Mello. A faixa foi censurada nas rádios, mas circulou freneticamente via fitas cassete e garantiu um contrato com o selo Chaos, da Sony (que também lançaria o Planet Hemp e outros).
Mas foi “Lôraburra”, com sua letra sexista dedicada às biatches sem conteúdo intelectual, que varreu o país. Era a primeira vez que muita gente fora dos grandes centros ouvia rap em português, incluindo a citação aos Racionais no sample de “Mulheres Vulgares”. A faixa se alimentou da polêmica – numa época em que isso significava uma matéria no Fantástico com depoimentos de populares, e não um Trending Topic do Twitter – e acabou puxando outros hits do álbum na esteira, como “175 Nada Especial” e a versão masculina de “Lôraburra”, “Retrato de um Playboy”. [AS]
8. Athalyba e a Firma . “Política”
Ano: 1994
Disco: Athalyba e a Firma
Pioneiro no rap nacional com o Região Abissal, nos anos 90 Athalyba Man chamou o DJ Cri (também do Região Abissal) e o MC GM Duda e montou o grupo Athalyba e a Firma. Com “Política”, que concorreu ao primeiro VMB da história, em 1995, o MC juntou um flow à Native Tongues com poesia à Chico Buarque, em que a maioria das as rimas terminam em proparoxítonas. O próprio Athalyba conta a história: “Na época eu tinha viajado para Miami e trouxe de lá uma fita K7 (vai vendo) com um instrumental da Janet Jackson (ou era uma fita K7 da Mary J Blige  que tinha um som da Janet Jackson em cima? Não lembro...). O fato é que, já em Miami, ouvindo o instrumental me veio o refrão : ‘de política em política’. De volta ao Brasil comecei a confeccionar a letra, pontuando as rimas com palavras proparoxítonas, que davam força na pronúncia, e a elas se seguia com uma pausa no ritmo (ou flow, como se diz hoje). Isso me deixou tão empolgado que fiquei praticamente 48 horas  sem sair de cima, terminei a letra com dois quilos a menos e horas de sono atrasado, mas valeu a pena”. Valeu a pena para todo mundo. [AS]
 
9. RPW . “Pule ou Empurre”
Ano: 1994/1996
Discos: Pule ou Empurre (12”)/ RPW Está na Área
 
Como se respondendo ao chamado para os b-boys pogarem contido em “Slam”, do Onyx , São Paulo deu luz a um estilo muito próprio de rap, o chamado bate-cabeça. Principal representante do gênero, o RPW absorveu as batidas aceleradas do rap nova-iorquino de grupos como EPMD e Das EFX e criou a trilha perfeita para o stage diving sem guitarras. A formação também era novidade: além do DJ Paul e de W-Yo, o grupo contava com a rapper Rúbia, uma das pioneiras em colocar a voz feminina no mic no Brasil.
“Pule ou Empurre”, primeiro hit do grupo, “foi febre na legião dos bate-cabeça” segundo DJ Cia, e resume bem o estilo – pra cima, pró-festa, “é pra empurar, mas sem treta”. Além do RPW, grupos como Doctor MCs (que teve o hit mellow “Tik Tak” em 94 e assinou clássicos como “Paranoia” e “UBC”) e Potencial 3 (de “Mano de Fé”) também agitavam as festas da União Bate-Cabeça na casa noturna Tio Sam, Zona Norte de SP. [AS]
10. Junior e Leonardo . “Rap das Armas”
Ano: 1995
Disco: De Baile em Baile
Apesar de dividir a mesma raiz com o rap de São Paulo, o funk carioca nunca foi levado a sério por sua contraparte mais sisuda, mesmo antes da sexualização temática do final dos anos 90. O preconceito pode ser com o sotaque, com a tendência para o canto, ou talvez com a influência avassaladora do bounce e do Miami bass. Mas os MCs cariocas não se imaginavam à parte.
Ao lado dos hinos às galeras, surgiam também músicas sobre a vida na favela, como o “Rap da Felicidade”. Uma das mais marcantes nessa linha, “Rap das Armas”, dos MCs Junior e Leonardo, tomou as rádios do Rio de assalto com o refrão “parrá-pá-pá-pá-pá-páá”. Versos como “estamos com um problema/ que é a realidade” deixavam muito som de drão paulistano no chinelo.
Graças à longa lista de armas citadas, o rap ganhou uma versão “proibidão”, gravada por Cidinho e Doca e incluída na trilha de Tropa de Elite. Por conta disso, Leonardo foi convocado a depor em um inquérito: “A delegada quis saber como é que eu fiquei sabendo os nomes das armas. Eu disse que lia o jornal. Não precisa perguntar a vagabundo, é só ler o jornal do dia”, conta o MC no livro Batidão. [AS]
11. Planet Hemp . “Mantenha o Respeito”
Ano: 1995
Disco: Usuário
 
Pouca gente pensa em “Mantenha o Respeito” como um rap, porque o Planet Hemp era um grupo na intersecção entre o rapcore e o funk-o-metal, numa época em que o Red Hot Chilli Peppers ainda fazia jus ao rótulo e o Rage Against the Machine virava hit de banda cover do interior. Mas Usuário, além de disco-símbolo da união entre rock e rap no Brasil, foi o começo da linhagem cannabística que vai de Marcelo D2 e B Negão ao Cone Crew Diretoria.
Hino máximo do bom proceder maconheiro, “Mantenha o Respeito” soava certamente como um pastiche das bandas citadas acima (mais a levada à Cypress Hill e alguns acordes “inspirados” em “Smells Like Teen Spirit”), mas tem um refrão até hoje difícil de não cantar junto. De quebra, escancarou o movimento pró-descriminalização da maconha, que foi parar até na boca de um certo político que rima com THC. [MP]
12. DMN . “H. Aço”
Ano: 1998
Disco: H. Aço
Quando estourou com “H. Aço”, em 1998, o DMN já tinha longa estrada na cena rap de SP. Formado na Zona Leste da cidade em 89, o quarteto nasceu diretamente ligado às primeiras batalhas de rimas da capital. Depois de aparecer no volume 2 da coletânea Consciência Black, lançou um disco (Cada Vez Mais Preto, de 93) e ficou anos em silêncio. No final do milênio, como um gigante que acorda da hibernação, o DMN voltou faminto para fazer o primeiro hino de um estilo triunfalista, calcado na afirmação individual, que daria o tom no rap 10 anos depois (não por acaso, Emicida, também saído das batalhas de freestyle, cita “H. Aço” em “Triunfo”).
Em ritmo arrastado e febril, a faixa une espírito de pugilista a uma narrativa que remete à dos quadrinhos (por sinal, a capa do disco, assinada por Alex Nascimento, é uma das mais legais do rap-BR) para falar sobre os desafios que levam um jovem comum a se tornar um “homem de aço”. O ritmo inalterado, de transe, a levada limpa e bem encaixada de Markão II e Elly e a participação incendiária de Edi Rock produziram um monolito para inúmeros cavaleiros solitários do ego. [MP]
13. RZO . Todos São Manos (1999)
Ano: 1999
Disco: Todos São Manos
 
Talvez o salve mais conhecido do rap brasileiro, a faixa título do disco de 99 da Rapaziada da Zona Oeste representa bem o espírito de coletividade que marca a Família RZO – afinal, o trio hoje composto por Sandrão, Helião e DJ Cia revelou Sabotage e Negra Li, entre outros talentos. A produção da faixa e do álbum, explica Cia, “foi para marcar o diferencial da rapaziada, com aquelas dobras e o jeito que os caras cantavam esticando o final das palavras, dando uma valorizada nos ‘s’ das frases”.
Mas além de um chamado de solidariedade às quebradas, “Todos São Manos” também versa sobre o poder redentor do rap, como lembra KL Jay: “Tem uma parte que o Helião fala que na escola a professora falou que ele ia ser um zé ninguém, mas que ele se encontrou no rap. É como aconteceu com o Malcom X. Um clássico”. Uma ideia que ecoaria pelos três anos seguintes, os últimos e mais brilhantes de um ciclo do rap nacional. [AS]